sábado, 15 de agosto de 2015

| trânsito-rio | trasitó-rio |

 
cartaz do longa TRANSITÓRIO ENTRE O VELHO E O NOVO (art. Leso)
 

Foi Bruno Teixeira Martins, fotógrafo e videasta que, em 2007, registrou a primeira aparição do TRANSITÓRIO, documentário coletivo realizado naquele ano por alunos da Escola de Cinema Darcy Ribeiro, da qual ele também fazia parte. O Cineclube tradicional da escola, onde eram exibidos e discutidos os trabalhos fechados ou em processo de montagem, era o encontro mais decisivo do semestre, e o mais rico.

Alex Cruz, idealizador do projeto, já tinha retornado ao Peru - essa a primeira função que o material gravado teria; Evelyn Acevedo, a roteirista, só soube das histórias dias depois da exibição e eu gravava, naquele dia, um especial sobre os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro para a recém nascida TV UOL. O único representante do TRANSITÓRIO na ocasião era o montador Luiz Cláudio Dias, que defendeu nosso trabalho sob uma chuva de provocações baratas e elogios tímidos, respectivamente dos professores mais antigos e dos mais jovens da ECDR. O próprio Luiz fez seu balanço: "Eu acho que a galera não estava preparada pra ver um filme diferente." Irônico que nossas referências iniciais eram mais que decodificadas, principalmente praquela maioria de cineastas e críticos sessentistas: IvensVertov!

O real frescor da pesquisa do Alex, na verdade, vinha dos contatos com o "Dormente" (2005), documentário de ensaio visual de Joel Pizzini - visto, revisto e transvisto por ele - e com a poesia de Augusto de Campos, especialmente as da série "ovo-novelo" (1955-57). O poema "tempo-espaço" trouxe uma possibilidade espacial no exercício do "tempo-sentido" e da teoria do "não-lugar", presentes, em diferentes escalas, também nos outros três realizadores citados. A ideia de múltiplas direções de leitura e pluri-combinações de sentido se refletiu na esfera imagética do material capturado: planos fixos a espera de uma ação (montagem interna), imagens subjetivas de elementos do espaço (plataforma de embarque/desembarque, chão da barca e da estação etc.), além daqueles que buscavam observar as pessoas, aproximando-se delas ou comportando-se, as vezes, como uma câmera de segurança.

Apesar de ter sido considerado um "filme de montador" - os professores não sabiam do acordo interno da equipe, que teria seu espaço criativo individualmente, ou seja, sem seguir a hierarquia imposta pela própria escola (diretor-roteirista-montador, na ordem de importância) -, foi a montagem quem deu ao público as maiores contribuições do curta: o uso do P&B, o contraste acentuado e a anti-decupagem de alguns planos, que existiam por si só, sem estar necessariamente ligado à outro.

É desse material que extraímos os primeiros teasers de divulgação do longa!


"tempo-espaço", poema de Augusto de Campos, série "ovo-novelo (1955-57)
 

 

quarta-feira, 7 de março de 2012

CINECLUBE CINERGIAHHH!

Amigos,

 
o Cineclube Cinergia retoma suas atividades neste 2012 e exibe no próximo bimestre, em parceria com o Ateliê Casarão, filmes da contracultura nacional, anos 70. Na estreia - dia 13 de março, terça-feira próxima, a partir das 19h30 -, a exibição do longa "BANG BANG" (1970), de Andrea Tonacci, clássico do Cinema Marginal Brasileiro. O Ciclo agrupa filmes que têm em comum marcos das produções daquela época: gritos insólitos, a carnavalização explícita da vida cotidiana e o desbunde.

O Cinema Brasileiro pós-golpe militar, especialmente o produzido nos anos 1970, década que, para o multiartista Jards Macalé "começou em 1968, com a assinatura do AI-5", inaugura novas técnicas de comunicação audiovisuais. Essas técnicas, (re)colhidas pelo grande crítico de cinema Ismail Xavier em suas "Alegorias do Subdesenvolvimento" e exercitadas sob o nome-código CONTRACULTURA, retrabalharam temas centrais de uma sociedade patriarcalista e castradora utilizando-se, para isso, de uma enormidade de símbolos e recortes, subvertendo valores, regras e convenções. Esses filmes formam o vertiginoso quebra cabeças do cinema underground nacional – ou “udigrudi”, como o chamaria pejorativamente Glauber Rocha, que também será exibido (veja programação completa em www.lesovideofilmes.blogspot.com). Caracterizados ora pelos seus hermetismos, ora por sua solidão dadá, sempre serão filmes de resistência.

Trecho do artigo "Bang Bang na Mira" (por Rodrigo Tangerino):

"Àquela altura, o campo artístico já estava entregue à subversão e à negação plena do discurso burguês. O regime militar continuava cimentando as brechas restantes e se confundia ao tentar destruir um sistema de arte que fugia de seu controle e inspeção. Nessa luta, uma séria de artistas revisitaram os grandes saltos estético-teóricos dos anos sessenta e assumiram finalmente uma postura antropofágica e mais internacionalista de suas produções. Tais projetos, marcados pelo seu distanciamento do discurso político, dá-se lugar ao desbunde explícito e à transgressão dos valores, e regras estabelecidas. Equilibrado neste eixo, Bang Bang (1970), primeiro longa de Andrea Tonacci, vem com uma proposta mestiça de deboche e rigor estético, um verdadeiro pastiche da tradição."

Além dos curtas que abrem as sessões, das tv's e dos debates, a partir desta edição o Cinergia revive o legado do Grupo CIM - Campinas Imagem em Movimento que promoveu, no triênio 2002/03/04, atividades audiovisuais na cidade de Campinas: dos grupos de estudos e ações cineclubistas à produção de vídeos e mostras, com o apoio do MIS - Museu da Imagem e do Som de Campinas, espaço público dinamizado pelo grupo. Os "Cadernos do CIM", com textos explicativos dos filmes, são uma prova da organização intelectual do coletivo e funcionavam como um apêndice colaborativo aos espectadores das sessões. O artigo "Bang Bang na Mira", publicado originalmente nos "Cadernos" do Ciclo de Cinema Marginal (2003), complementará a compreensão e a discussão do filme.

Trecho do artigo "O Grupo CIM - Campinas Imagem em movimento no triênio 2002/03/04" (disponível na íntegra em www.zinezinho.blogspot.com nesta sexta-feira)

"A primeira vez que se houve falar do Grupo CIM - Campinas Imagem em Movimento, pelo menos fora de seu núcleo inicial, já formado em 2002, foi no encontro-seminário “O Cinema Possível”, um dos kinomeets realizados no auditório do Instituto Agronômico de Campinas, na Rua Barão de Jaguara. Era o tipo de encontro no qual se podiam ver reunidos alguns realizadores de Campinas e seus grupos: o cineoitista Lucas Vega, o homem por traz do Festival de Cinema Super8 de Campinas; o pessoal daZangá Filmes, Janaína Damasceno e Vítor Epifânio que, na época, ao lado de Rodrigo Braga, integrante desde então do Grupo Identidade de Luta Pela Diversidade Sexual de Campinas, finalizou dois curtas importantes para o Grupo: "Sacô?", VHS marco-zero da LesoVídeoFilmes e "Manequim", de Paulo Rodrigues e Afonso Machado; Kid, videasta ligado ao Estúdio Nômade de body art e a seminal Brócolis VHS, nas personas de Marina Meloni e Leandro Vieira. Não demorou muito para as aproximações curiosas, geradoras das primeiras forças, aglutinadas sob o grupo, já pronto para atuar"

Ainda estão na programação: "Copacabana Mon Amour", de Rogério Sganzerla, "A Lira do Delírio", de Walter Lima Jr. e "Câncer", de Glauber Rocha.

Então:
O QUÊ? - CINECLUBE CINERGIAHHH! exibe produções do CONTRACINEMA
QUANDO? - Dia 13 de março, terça-feira, a partir das 19h30
ONDE? - Ateliê Casarão - Rua Dr. Almeira, 265 - Centro, Jundiaí/SP - www.ateliecasarao.blogspot.com
QUANTO? - Gratuito!

FILME? - "Bang Bang" (Dir: Andrea Tonacci - PB - 90' - 1970 - Brasil)
Sinopse: Um homem neurastênico se vê envolvido em várias situações: um romance com uma bailarina espanhola, perseguições, discussões com um motorista de táxi e o enfrentamento com um bizarro trio de bandidos - ou uma família subvertida. "Bang Bang" é uma comédia surrealista, com uma seqüência de episódios que não compõem uma única história. O filme foi convidado a participar da prestigiada Quinzena de Realizadores do Festival de Cannes.
dia 13 de março

Programa completo (todas as sessões gratuitas, sempre no Ateliê Casarão, às 19h30, terças-feiras)








BANG BANG (DIREÇÃO: ANDREA TONACCI - 1970 - 93')
Sinopse: Homem neurastênico que, durante a realização de um filme, se vê envolvido em várias situações como o romance com uma bailarina espanhola, perseguições, discussões com um motorista de táxi e o enfrentamento com um bizarro trio de bandidos.



dia 27 de março

COPACABANA MON AMOUR (DIREÇÃO: ROGÉRIO SGANZERLA - 1970 - 95')
Sinopse: Sônia Silk circula por Copacabana, no Rio de Janeiro, com o grande sonho de ser cantora da Rádio Nacional. Ela é irmã de Vidimar, empregado apaixonado pelo patrão, o Dr. Grilo. Sônia Silk vê espíritos baixarem em seres e objetos e procura o pai-de-santo, Joãozinho da Goméia para livrá-la desta aflição.


 dia 10 de abril

A LIRA DO DELÍRIO (DIREÇÃO: WALTER LIMA JUNIOR - 1978 - 105')
Sinopse: Dois momentos na vida de um grupo de personagens cariocas. No bloco carnavalesco “A Lira do Delírio”, eles vivem o êxtase e a violência. Fora do carnaval, cruzam-se num cabaré da Lapa. Ness Elliot, dançarina e taxi-girl, tem o seu bebê seqüestrado e cai nas malhas de Claudio, misto de malandro e homem de negócios. O repórter de polícia Pereio faz tudo para ajudá-la enquanto também investiga o atentado a fogo contra o homossexual Toni.

dia 24 de abril

"CÂNCER" (DIREÇÃO: GLAUBER ROCHA - 1968/72 - 86')
Sinopse: Nenhuma história particular, somente três personagens, em 27 planos longos, improvisando situações cujo tema é a violência psicológica, sexual e racial. No comando a improvisação total.



segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Ciclo TERROR, TERRIR E GORE: a dupla Toninho e Baiestorf mais photo.bi.texto da gênese

Material gráfico: "VISÕES DO TERROR" (Jundiaí, 2010)
1.
Ano passado, a LesoVídeoFilmes, em parceria com o Ateliê Casarão e a Cia. Casulo de Teatro, realizou a mostra coletiva "Visões do Terror": vídeos, tvs, pocketpeças, quadrinhos e desenhos. Alguns filmes exibidos na época fazem parte da programação do Ciclo TERROR, TERRIR E GORE, que invade Zumbiahy, num tempo e terreno profícuos, de muito cinema e organização entre os coletivos da cidade. As duas primeiras exibições do TTG - "Esta Noite Encarnarei no Seu Cadáver" (José Mojica Mrins, 1967) e "O Escorpião Escarlate" (Ivan Cardoso, 1990) -, foram muito discutidas nas sessões da FATEC.

2.
"CAÇADOR DE ALMAS II", de Toninho do Diabo - que acaba seu novo "A Fazenda do Diabo" (2011) -, é um filme estranho, centrado positivamente na dissolução de um possível "padrão de qualidade" e de seus clichês, obtendo - obtuso - um clima ao mesmo tempo engraçado e incômodo, acentuado pelos não-atores, pela pantomima e pela reação ao sobrenatural: antilinguagem.

O performer e diretor Toninho do Diabo
3.
"BLERGHHHH!!!", de Petter Baiestorf tem aquilo que o diretor mais gosta: sangueira e mulher pelada, ferramentas pruma crítica bruta. Filmado em VHS, o deboche e o exagero impressos aqui são seminais para duas produções mais radicais, ambas de 1998: "Gore Gore Gays" e "Sacanagems Bestiais dos Arcanjos Fálicos", filmes absolutamente malditos e "incompreendidos até pelos tarados", como ele próprio os definiu.

Petter Baiestorf em cena de "Blerghhhh!"
Então: dia 18 de outubro - 20h - terça-feira - Cineclube Cinergia - Ateliê Casarão

“BLERGHHH!!!!!” - (1996 - Petter Baiestorf)
O filho de um empresário e sua guarda-costas são sequestrados por um grupo de terroristas. Com o dinheiro do resgate eles esperam comprar mais armas e financiar assim a revolução. Um dos terroristas, um médico torturador, resolve usar a guarda-costas para realizar as suas taras sexuais e rodar um snuff-movie. Os problemas para o grupo começam quando o empresário se nega a pagar pela vida do filho, alegando que ele é um maldito viciado em drogas e não vale nada. Eliminar o refém pode não ser uma solução tão simples, ainda mais quando ele se nega a morrer.
“CAÇADOR DE ALMAS II” (2000 - Toninho do Diabo)
Segundo o próprio Toninho: "uma crítica social à corrupção no Brasil".


4.
PHOTO.BI.TEXTO: memórias de Visões do Terror (Ateliê Casarão, 2010 - LesoVídeo mais Cia. Casulo de Teatro)





sexta-feira, 14 de outubro de 2011

cineclube consciência mais cineclube na cidade mais ateliê casarão: ciclo TERROR, TERRIR E GORE

Esse mês, em parceria com o Cineclube Consciência e o Ateliê Casarão, a LesoVídeoFilmes encara mais um ciclo de cinema, dentro do projeto CINERGIA: TERROR, TERRIR E GORE. Os dois parceiros são mais que parceiros: são amigos antigos. Com toda a transformação (inclusive uma reforma na sede!) e trabalhos que a gente produz, acabamos ficando em dívida, em especial na divulgação desse ciclo. No entanto, com o mesmo entusiasmo - até porquê as atividades já começaram -, a gente faz um mais-que-convite pra nossa sessão de sábado no auditório da FATEC (Av. União dos Ferroviários, 1760 Jundiaí/SP, prédio ao lado do POUPATEMPO), às 19h30, na faxa. O filme é O ESCORPIÃO ESCARLATE, de Ivan Cardoso, clássico do TERRIR.


O ciclo comemora vááááárias coisas: a primeira parceria entre a LesoVídeoFilmes e o Cineclube Consciência; o frisson e expectativa em cima do curta "Zumbiahy", de Fábio Castell e Anelize Zaqueo - cujo making off está sendo finalizado pela LesoVídeoFilmes -; o niver de um ano da mostra coletiva "Visões do Terror" (Ateliê Casarão, 2010) e, claro, a abertura dos realizadores, dos inéditos na cidade - como o diretor catarinense Petter Baiestorf, lenda do cinema alternativo brasileiro, com mais de cem filmes realizados -, até os que já formam nossa rede, como Toninho do Diabo e a produtora campineira Brócolis VHS.

É gratuito!
Esperamos todos!
Rodrigo Tangerino
(11) 71758161
http://www.lesovideofilmes.blogspot.com/
www.flickr.com/celul_a_zul
@beijinhonodedao

Programação Completa

dia 01 de outubro - 19h30 - sábado - Cineclube Consciência - FATEC

“ESTA NOITE ENCARNAREI NO SEU CADÁVER” (1967 - José Mojica Marins)
Após sobreviver ao ataque sobrenatural do final de 'À Meia-Noite Levarei Sua Alma', Zé do Caixão continua na busca obsessiva da mulher ideal, capaz de gerar o filho perfeito. Com ajuda do fiel criado Bruno, ele rapta seis belas moças, submetendo-as às mais terríveis torturas. Só a mais corajosa sobreviverá ao teste e poderá ser a mãe de seu filho. Mas Zé comete um crime imperdoável ao assassinar uma moça grávida. Atormentado pela culpa de ter assassinado uma criança inocente, ele sofre um pesadelo no qual é levado para um inferno gelado, onde reencontra suas vítimas.

dia 15 de outubro - 19h30 - sábado - Cineclube Consciência - FATEC

“O ESCORPIÃO ESCARLATE” (1990 - Ivan Cardoso)
O Anjo é um playboy milionário que luta contra o crime, especialmente contra seu inimigo mortal, o vilão Escorpião Escarlate, que seqüestrou a estilista Glória Campos, que está apaixonada pelo herói (o Anjo). Através de uma ouvinte, os heróis radiofônicos ganham vida. A fantasia então, mistura-se à realidade, transformando o cotidiano de todos, até surgir o criminoso mascarado chamado Escorpião Escarlate.



dia 18 de outubro - 19h30 - terça-feira - Cineclube Cinergia - Ateliê Casarão

“BLERGHHH!!!!!” - (1996 - Petter Baiestorf)
O filho de um empresário e sua guarda-costas são sequestrados por um grupo de terroristas. Com o dinheiro do resgate eles esperam comprar mais armas e financiar assim a revolução. Um dos terroristas, um médico torturador, resolve usar a guarda-costas para realizar as suas taras sexuais e rodar um snuff-movie. Os problemas para o grupo começam quando o empresário se nega a pagar pela vida do filho, alegando que ele é um maldito viciado em drogas e não vale nada. Eliminar o refém pode não ser uma solução tão simples, ainda mais quando ele se nega a morrer.

e

“CAÇADOR DE ALMAS II” (2000 - Toninho do Diabo)
Segundo o próprio Toninho: "uma crítica social à corrupção no Brasil".



dia 29 de outubro - 19h30 - sábado - Cineclube Consciência - FATEC


“ZOMBIO” (1999 - Petter Baiestorf)
Um casal a fim de diversão chega a uma ilha paradisíaca e logo descobre que o lugar não é tão deserto quanto imaginava. Hordas de mortos-vivos sedentos de sangue partem para cima dos namorados.

e

Curtas da BRÓCOLIS VHS, de Campinas, produtora independente de filmes do formato, entre trashs, docs, clipes e experimentais.


acompanhem a lesovídeo

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